Embora benefícios corporativos e programas de bem-estar tenham seu papel, a saúde mental no trabalho depende de diversos fatores que fazem parte da rotina das equipes e das relações profissionais.
Nesse contexto, a liderança exerce uma influência significativa sobre a rotina dos colaboradores. São os gestores que acompanham resultados, distribuem demandas, conduzem feedbacks, lidam com conflitos e servem como referência para suas equipes.
Por isso, a saúde mental não deve ser tratada apenas como uma responsabilidade do RH ou mesmo das empresas. Para promover bem-estar, reduzir a rotatividade e fortalecer a experiência dos colaboradores é preciso olhar para suas lideranças e prepará-las para criar ambientes mais equilibrados, respeitosos e seguros.
Neste artigo, entenda o papel dos gestores na promoção da saúde mental no ambiente de trabalho e conheça práticas importantes. Boa leitura!
Saúde mental no trabalho: o que os números revelam sobre o cenário atual?
A saúde mental se tornou uma das principais preocupações das empresas nos últimos anos. O aumento dos casos de ansiedade, depressão e esgotamento emocional trouxe novos desafios para gestores, profissionais de Recursos Humanos e lideranças que buscam construir ambientes de trabalho mais saudáveis.
Em 2025, os afastamentos por doenças relacionadas à saúde mental atingiram o maior nível da última década, segundo dados do Ministério da Previdência Social. Os casos relacionados à ansiedade e à depressão cresceram 15% em relação ao ano anterior, reforçando a necessidade de atenção ao tema dentro das organizações.
Em 2025, foram registrados mais de 166 mil afastamentos por ansiedade e 126 mil por depressão. Juntas, essas condições representam o segundo maior motivo de afastamento do trabalho no Brasil.
Além disso, uma pesquisa da Robert Half mostrou que 56% dos profissionais entrevistados afirmaram ter trocado de emprego, demonstrando que fatores ligados à experiência do colaborador possuem peso crescente nas decisões de carreira.
A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que ampliou a atenção aos riscos psicossociais no ambiente de trabalho, reforça ainda mais a necessidade de olhar para fatores que podem afetar a saúde mental dos colaboradores.
Nesse contexto, a liderança passa a ocupar uma posição estratégica na prevenção de problemas e na construção de ambientes mais saudáveis para as equipes.
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O papel da liderança na saúde mental dos colaboradores
A liderança está entre os fatores que mais influenciam a experiência do colaborador dentro da organização. Muito além do acompanhamento de resultados, os gestores exercem impacto sobre a forma como as pessoas percebem o ambiente de trabalho.
Por esse motivo, as empresas que desejam fortalecer a saúde mental das equipes precisam olhar para o desenvolvimento das lideranças com a mesma atenção dedicada a benefícios, programas de bem-estar e iniciativas internas.
A liderança influencia o clima da equipe diariamente
O clima organizacional é construído por diferentes fatores, mas a atuação da liderança possui um papel relevante nesse processo.
A forma como gestores se comunicam, distribuem demandas, lidam com erros e reconhecem conquistas influencia diretamente nas relações dentro das equipes.
Lideranças que promovem respeito, transparência e colaboração tendem a criar ambientes mais seguros para que os profissionais expressem opiniões, compartilhem dificuldades e participem das decisões.
Escuta ativa fortalece confiança e reduz desgastes
A escuta ativa é uma das competências mais importantes para líderes que desejam apoiar suas equipes. Mais do que ouvir, este processo exige interesse genuíno, atenção e disposição para compreender diferentes perspectivas antes de tomar decisões ou oferecer orientações.
Essa prática se torna ainda mais importante em equipes comerciais e times de vendas, que convivem frequentemente com metas, pressão por resultados e mudanças constantes.
Quando existe espaço para diálogo, os profissionais se sentem mais seguros para compartilhar desafios e buscar apoio quando necessário.
Assista à live gravada sobre o tema:

O exemplo da liderança vale mais do que campanhas internas
Programas voltados à saúde mental podem gerar resultados positivos, mas dificilmente terão efeito duradouro quando os comportamentos observados no dia a dia caminham em direção contrária.
Os colaboradores tendem a observar muito mais as atitudes das lideranças do que as mensagens institucionais da empresa.
Quando gestores respeitam horários, valorizam pausas, demonstram equilíbrio diante de situações de pressão e incentivam relações respeitosas, reforçam na prática a cultura que a organização deseja construir. Esse alinhamento fortalece a credibilidade das iniciativas e contribui para um ambiente mais saudável.
Como as lideranças podem promover a saúde mental no trabalho?
Promover a saúde mental no trabalho não exige formação em psicologia nem grandes investimentos. Muitas das ações que fazem diferença estão relacionadas à forma como a liderança conduz a rotina da equipe, estabelece prioridades e se relaciona com os colaboradores.
Pequenas mudanças de comportamento reduzem o desgaste, fortalecem a confiança e criam um ambiente mais equilibrado para o desenvolvimento das atividades profissionais.
Incentive pausas estratégicas ao longo da jornada
A busca por produtividade faz com que muitos profissionais permaneçam longos períodos sem pausas adequadas. Com o tempo, essa rotina pode aumentar a fadiga mental, dificultar a concentração e reduzir a capacidade de recuperação ao longo do dia.
Os gestores devem incentivar momentos curtos de descanso entre reuniões, pausas para alongamento e intervalos destinados à recuperação da energia mental. Quando a liderança valoriza esses momentos, contribui para uma rotina mais sustentável para toda a equipe.
Assista à live gravada sobre o tema:

Identifique sinais de sobrecarga antes que se agravem
Mudanças de comportamento costumam ser alguns dos primeiros indícios de que algo não está bem. Irritabilidade frequente, queda de desempenho, isolamento, atrasos constantes ou dificuldades de concentração podem indicar situações de desgaste emocional.
Por acompanhar a rotina dos colaboradores mais de perto, a liderança possui condições de perceber esses sinais antes que eles se transformem em problemas maiores. O diálogo e a observação contínua ajudam a identificar necessidades de apoio e possíveis ajustes na rotina de trabalho.
Crie espaços seguros para diálogo e feedback
Nem sempre os colaboradores se sentem confortáveis para falar sobre dificuldades emocionais ou desafios relacionados ao trabalho. O receio de julgamentos ou interpretações equivocadas ainda faz parte da realidade de muitas organizações.
Por isso, é importante que gestores criem espaços para conversas abertas, reuniões individuais e feedbacks construtivos. Quando existe confiança, torna-se mais fácil identificar problemas, alinhar expectativas e construir soluções em conjunto.
Estabeleça metas realistas e prioridades claras
As metas fazem parte da rotina corporativa, mas precisam ser compatíveis com os recursos disponíveis e com a realidade da equipe. Expectativas excessivamente elevadas geram frustração, ansiedade e aumento da pressão no ambiente de trabalho.
As lideranças que definem prioridades de forma clara e revisam objetivos periodicamente ajudam os colaboradores a direcionar esforços para aquilo que realmente importa.
Respeite momentos de descanso e desconexão
A tecnologia trouxe praticidade para a comunicação corporativa, mas também ampliou o risco de conexões permanentes com o trabalho. Mensagens fora do expediente e interrupções constantes dificultam a recuperação física e mental dos profissionais.
Respeitar horários de descanso, férias e períodos de folga demonstra cuidado com o bem-estar das equipes.
Valorize conquistas e reconheça esforços
O reconhecimento continua sendo uma das formas mais simples de fortalecer o engajamento e a motivação das equipes. Quando os esforços passam despercebidos, os profissionais desenvolvem sentimentos de desvalorização e desmotivação.
Valorizar resultados, destacar contribuições individuais e celebrar conquistas coletivas fortalece a confiança dos colaboradores e contribui para relações profissionais mais positivas.
A liderança está presente nos momentos que mais influenciam a rotina dos colaboradores: definição de prioridades, distribuição de demandas, reconhecimento, desenvolvimento profissional e resolução de conflitos.
Quando esses processos são conduzidos com equilíbrio e diálogo, a empresa fortalece a saúde mental das equipes e a experiência de trabalho como um todo.
Para aprofundar o tema, assista à live Papel da liderança na manutenção da saúde mental do colaborador, promovida pela Guapeco, com Martha Rodrigues, Co-Founder e CEO da Guapeco, e Fernanda Figueiredo, CEO & Head de Cultura e Estratégia da Talento Gestão Integrada.
Assista à live gravada sobre o tema:

FAQ: Saúde mental no trabalho e o papel da liderança
1. Qual é o papel da liderança na saúde mental dos colaboradores?
A liderança influencia a experiência dos colaboradores no ambiente de trabalho. A forma como gestores se comunicam, distribuem demandas, conduzem feedbacks e lidam com conflitos pode contribuir para um ambiente mais saudável ou aumentar situações de desgaste emocional.
2. Como a liderança influencia a saúde mental no trabalho?
Os gestores estão presentes em diversos momentos da rotina das equipes. Eles participam da definição de prioridades, acompanham resultados e apoiam o desenvolvimento profissional. Por isso, suas atitudes têm impacto na confiança, no engajamento e na percepção que os colaboradores têm sobre o ambiente de trabalho.
3. O que os líderes podem fazer para apoiar a saúde mental da equipe?
Algumas práticas são incentivar pausas estratégicas, criar espaços para diálogo, oferecer feedbacks construtivos, respeitar períodos de descanso, reconhecer conquistas e identificar sinais de sobrecarga antes que eles se agravem.
4. Quais são os principais sinais de sobrecarga emocional dos colaboradores?
Mudanças de comportamento, irritabilidade frequente, queda de desempenho, dificuldade de concentração, isolamento, aumento de faltas e desmotivação podem indicar que o profissional está enfrentando algum nível de desgaste emocional.
5. Quantas pessoas foram afastadas do trabalho por transtornos mentais em 2025?
Segundo dados do Ministério da Previdência Social, os afastamentos relacionados à saúde mental atingiram o maior nível da última década em 2025. Somente os casos de ansiedade geraram mais de 166 mil afastamentos, enquanto a depressão foi responsável por mais de 126 mil registros.
6. O que mudou na NR-1 sobre saúde mental no trabalho?
A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 ampliou a atenção aos riscos psicossociais no ambiente de trabalho. A partir dessa mudança, fatores que podem afetar a saúde mental dos colaboradores passaram a receber mais atenção dentro das estratégias de gerenciamento de riscos ocupacionais.
7. Como criar um ambiente psicologicamente seguro na empresa?
Um ambiente psicologicamente seguro é construído quando os colaboradores se sentem respeitados e confortáveis para compartilhar opiniões, dúvidas e dificuldades sem medo de julgamentos e punições. Comunicação aberta, confiança e respeito são alguns dos fatores que contribuem para esse cenário.
9. O que são riscos psicossociais no ambiente de trabalho?
Riscos psicossociais são fatores relacionados à organização do trabalho e às relações profissionais que podem afetar a saúde mental dos colaboradores. Excesso de demandas, metas incompatíveis com a realidade da equipe, jornadas prolongadas, assédio, falta de autonomia e conflitos constantes estão entre os exemplos mais comuns.
10. Por que a saúde mental se tornou uma prioridade para as empresas?
O aumento dos afastamentos relacionados à ansiedade, depressão e esgotamento emocional fez com que o tema ganhasse espaço nas estratégias de gestão de pessoas. Além do bem-estar dos colaboradores, a saúde mental está relacionada à retenção de talentos, ao engajamento das equipes e à experiência dos profissionais dentro da empresa.